Rui Borges responde a Jorge Jesus e não deixa margem para dúvidas: «Não há recado nenhum»

Rui Borges, treinador do Sporting, fez a antevisão do encontro deste sábado frente ao Arouca, relativo à 7.ª jornada da Liga Portugal Betclic. Na conferência de imprensa, o técnico leonino abordou ainda alguns temas do atual momento da equipa, como a consistência ou falta dela, as palavras de Jorge Jesus sobre Gonçalo Inácio, entre outros.
Análise ao Arouca
“É uma das boas equipas do nosso campeonato, apesar do resultado menos positivo na última jornada. Acho que teve o treinador do mês [Vasco Seabra]. É uma equipa que gosta de ter bola mesmo com a equipa grande. Gosta de ter posse e ser associativa, sem perder a verticalidade com um outro jogador, mesmo contra os grandes. Esta época, parece-me ainda mais consistente defensivamente. O treinador é conhecido por tentar valorizar o futebol, mas estamos mais focados no que podemos fazer para seguir o nosso caminho”.
Porto – Benfica
“Estou preocupado apenas com o nosso jogos e em fazermos tudo para conseguirmos uma vitória perante os nossos adeptos. Consistência? Já perdi um ou outro resultado nos últimos minutos, mas também já ganhei. Em termos de consistência, com o Rui Borges, o Sporting foi campeão nacional, teve 82 pontos em duas épocas, foi aos quartos da Liga dos Campeões venceu a Taça de Portugal, foi a equipa que mais golos marcou. Somos uma equipa que queremos marcar. Sou muito positivo e olho para as coisas boas. Estamos cientes do que temos a melhorar e de trabalhar, mas estamos otimistas porque tem sido muito positiva”.
Oportunidades para jogadores com poucos minutos
“O trabalho da pré-época tem sido um pouco igual ao de agora, serviu para trabalhar dinâmicas. Temos de tomar decisões e encontrar as melhores ligações dentro da equipa para encarar o próximo jogo. O Pedro Lima tem crescido, tal como o Jesse Derry e o Nestory Irankunda. Estava numa equipa que defendia em bloco baixo para sair para transições e agora está numa equipa que tem de ter posse e tomar decisões mais rápid. O Silas tem aparecido e muito bem. Vem de um contexto diferente e uma exigência diferente da liga portuguesa. Todos, à sua maneira e no seu tempo, irão ter as suas oportunidades”.
Resposta a Jorge Jesus
“O Inácio e qualquer um têm de melhorar em alguns aspetos. Fico feliz por vê-lo na Seleção, demonstra que não esteve assim tão mal como vocês dizem. Não vou avaliar um jogador por um auto-golo ou por falhar dois passes. Falha mais porque arrisca mais que os outros, já o tinha dito. Tem tido consistência no Sporting e está focado e tranquilo. Não há recado nenhum de Jorge Jesus, ouvi-o a dizer que era a vossa opinião e que ele não concordava. Acredito que vai aprender muito com o mister Jorge Jesus, é um grande treinador e oxalá que ajude o Inácio a crescer em algumas coisas”.
Quaresma e Flávio Gonçalves na Seleção no futuro
“Fora deste jogo, está o [Ibrahima] Ba e o Moncef [Zekri] e o Blopa por opção porque já começou a treinar, o Simões está convocado. Não sou ninguém para justificar convocatórias. Eu escolhia uns e o mister escolheu os seus melhores para representar a Seleção e estarei sempre com os que ele escolher porque a Seleção dele é a nossa e a minha. Trabalho com o Edu e o Flávio e sei das suas capacidades e a seu tempo irão à Seleção, não tenho dúvidas. Sabem o que têm de melhorar para entrar nas futuras escolhas do selecionador e estão tranquilos. Vejo com bons olhos quem foi convocado. Fico feliz por ver o Rui Silva e o Inácio novamente na Seleção e no futuro haverão outros do Sporting”.
Portugueses e reforços estrangeiros
“Independentemente de ter jogadores portugueses, a adaptação tem a ver com os jogadores que ficam de umas épocas para as outras para perceber e mostrar a exigência do Sporting. Não fugimos à nossa formação e aos jogadores portugueses. Em alguns anos, não teremos tantos portugueses como desejamos, mas estão a aparecer na formação para vir o mais rapidamente para a equipa principal. Em relação a compras, o nosso mercado também é caro e eu olho muito e gosto de olhar para a nossa liga para jogadores que já estão inseridas no nosso campeonato. Equipas como o Famalicão e o Sp. Braga vendem muito caro. As equipas de meio da tabela também o fazem, até com estrangeiros, e isso condiciona o nosso mercado interno. Mas olharemos sempre muito para os jogadores portugueses”.
Culpa não é de Inácio
“Não posso confirmar a titularidade do Inácio porque ninguém sabe. Ele está super tranquilo. Teve a infelicidade de fazer um auto-golo, mas não é dele, é da equipa. Olhamos para o coletivo. Fomos penalizados num momento de um jogo em que não deixámos o adversário criar absolutamente nada, tirando um cabeceamento na primeira parte e o golo a acabar o jogo. Eu olho para a parte positiva. Empatámos dois jogos e estamos mais atrasados do que queremos e queremos ganhar sempre. Agora, há coisas que não controlamos. Honestamente, preferia chegar ao fim do jogo, falar com a equipa e dizer ‘Tivemos mal em organização defensiva, perdemos muitas posições, perdemos duelos, deixámos o adversário construir muito’, mas não consigo dizer isso. Fizemos o suficiente para vencer o jogo, mas podíamos ter feito mais na parte ofensiva e criar mais ocasiões de golo. Mas o adversário com 11 jogadores dentro da área. Numa equipa nova, claro que queremos crescer com vitórias porque essa é a exigência do Sporting. Queremos lutar por tudo o que estamos inseridos. Aqui ganha o grupo e perde o grupo. Os líderes são os capitães de equipa que estão lá, mas não precisam de ser capitães. Alguns aparecem como líder por natureza e com o passar do tempo vão se impor na comunicação e exigência para com os colegas. Falta-nos alguma maturidade, temos uma equipa jovem, não vamos fugir a isso, mas faz parte. Temos de ajudá-los e puxar por eles individualmente para crescerem no carácter para se imporem e passarem a exigência do Sporting para quem ainda não a percebeu a 100%.”
Menos quatro pontos do que queríamos
“É muito importante ganhar. Primeiro porque vimos de um empate e se queremos lutar para ser campeões, temos de ganhar. Não ficamos felizes por ganhar apenas, queremos jogar bem. Além disso, entramos numa pausa para seleções e é importante entrar com uma vitória e manter os níveis de confiança coletiva e, sobretudo, individual. Depois da pausa, temos uma deslocação difícil a Braga. Queremos ganhar independentemente de haver paragem para encurtar a distância para os nossos adversários. Já não dependemos só de nós, tem de haver um resultado menos positivo de quem vai à nossa frente. Naquilo que controlamos, temos menos quatro pontos do que queríamos. Temos de crescer, mas crescer a ganhar”.
Exigência
“A exigência dos adeptos vai existir sempre e ainda bem. Tem de haver essa exigência porque toda a gente se pode acomodar e temos de saber lidar com ela. Não me preocupa. Temos de perceber o contexto e as histórias que se contam. Olhar para o trajeto e não apenas dois jogos. O trajeto da nossa equipa técnica no Sporting não é bom, é muito bom. Tenho duas derrotas no campeonato português. Queria ganhar muito mais, queria ganhar mais troféus que não consegui, mas estive lá nas decisões e farei sempre tudo para estar lá. Seja campeonato ou na Champions. Não sei se nos últimos 20 anos, houve alguma equipa portuguesa a fazer aquilo que fizemos na época passada. Estou muito feliz com o nosso trabalho, mas queríamos ter ganho mais. O nosso trabalho desde há dez anos até aqui deixa-me muito tranquilo. Tenho a certeza que vamos crescer e estar nas decisões”.
Flávio Gonçalves e rotação
“Às vezes, é o entendimento do jogo, às vezes, é tática, às vezes, é gestão ou perceção de jogo… Percebo que façam do Flávio, fez golos e assistências, mas, depois, temos de ver a consistência do jogo dele. Temos de avaliar com algum equilíbrio, até para o crescimento dele, porque é um jogador jovem, percebendo que fez um golo, mas não fez tudo bem e tem de crescer. Falo do Flávio e de outro qualquer, temos de avaliar o jogador com base em todos os critérios, e não apenas no golo ou na assistência. Tem tido um crescimento fantástico, é um predestinado e tem de crescer, mas com os pés na terra. Teve essa paciência, na época passada, quando andou quase a época toda a treinar connosco, mas não teve tanto tempo de jogo na equipa principal. Se calhar, por isso é que está tão preparado, neste início. Tem de continuar nesse crescimento, porque, a partir do momento em que não perceber isso, vai para baixo outra vez. É novo, é uma equipa jovem, e têm de perceber que fizeram uma coisa boa, mas não chega. É um puto esperto e trabalha muito bem”.



