Adepto que perdeu um olho na festa do título acusa Sporting de falsas promessas

Bernardo Topa, o adepto do Sporting que perdeu um olho nos festejos da conquista do bicampeonato, ao ser atingido por uma bala de borracha pela polícia na zona do Saldanha, acusou o clube de o deixar sem apoio. Numa longa mensagem nas redes sociais, o português garante que tem suportado sozinho as cirurgias, os tratamentos e ainda uma depressão na sequência do incidente.
«Infelizmente, muitos de vós conhecerão o meu nome pelas piores razões. Na madrugada de 18 de maio de 2025 fui alvo de uma agressão violenta e completamente injustificada por parte da equipa de intervenção da PSP, que seguia em frente ao autocarro da nossa equipa, aquando das celebrações do bicampeonato nacional. Um dia de festa e de celebração ficará para sempre marcado em mim como um episódio traumático», começou por escrever, revivendo o momento.
«Lembro-me de ver as famílias que ali se encontravam a fugir e, quando uma clareira se abriu, vi ao longe, agentes fardados a disparar em direção aos adeptos. Ainda sem entender como nem porquê, fui atingido no olho por um disparo de shotgun, que o destruiu por completo e me provocou fraturas na cara. Sem entrar em muitos detalhes, no lugar do olho fiquei com um buraco. Lembro-me de levar as mãos à cara, correr desesperado e esvaziar-me em sangue, enquanto os festejos prosseguiam. Fui mutilado numa noite em que apenas tinha saído de casa para celebrar um título do Sporting», acrescentou, atacando Varandas e companhia.
«No hospital fui recebido pelo Presidente do Conselho Diretivo, Dr. Frederico Varandas, que me transmitiu empatia pela situação em que me encontrava. Foi-me também transmitido pelo nosso Diretor de Comunicação, Gonçalo Vila Santos, que o clube estava comigo e passo a citar o comunicado oficial: ‘a envidar todas as diligências possíveis e necessárias junto das autoridades competentes, com vista à investigação da ocorrência e à adoção das medidas que se revelem adequadas.’ Ora, passado mais de um ano, a pergunta que fica, o que é estar comigo? «É oferecer uns artigos da loja verde e um convite à tribuna, e está tudo bem?», questionou, explicando a situação.
«Não tive qualquer tipo de apoio ou acompanhamento da situação que acreditei ter e após nova tentativa de diálogo, recusaram-se a fazê-lo com uma data de desculpas, entre as quais de que abriria precedentes em relação a outros pedidos de ajuda de sócios e que nunca a administração se comprometeu com nada. Sei que não somos uma instituição de solidariedade social, mas o Sporting tem um departamento jurídico e uma Fundação», afirmou.
«A esta última solicitei ajuda e a resposta que recebi foi que o respetivo Plano Estratégico não abrangia as áreas de apoio solicitadas. Que áreas de apoio são essas então? Para que nos pedem para consignar o IRS todos os anos? Por mais feliz que fique por ver o nosso clube cada dia mais forte e inovador e agora com o regresso a muito custo da Curva Sul, custa-me sentir que, no meio de conquistas, há sócios que são esquecidos – porque não sou caso único!», completou.
A reação do Sporting
A A BOLA, fonte do Sporting comentou a publicação do adepto, garantindo que o clube adotou «todas as diligências que estavam ao seu alcance».
A reação dos leões:
«O Sporting Clube de Portugal lamenta profundamente as consequências do incidente de que foi vítima o adepto Bernardo Topa e reitera que, desde o primeiro momento, atuou no âmbito das suas competências, adotando todas as diligências que estavam ao seu alcance e manifestando a sua solidariedade e proximidade.
O Clube tem plena consciência do impacto que este episódio teve na vida do adepto e da sua família, bem como dos desafios pessoais que continuam a enfrentar.
Importa salientar que os factos ocorreram num contexto que não se encontrava sob a responsabilidade nem o controlo do Clube, cabendo às autoridades competentes o respetivo apuramento e a determinação das responsabilidades.
A solidariedade para com o adepto nunca esteve, nem estará, em causa. O Clube mantém a expectativa de que este caso conheça um desfecho justo, com o completo esclarecimento dos factos, para que uma situação com consequências tão graves não caia no esquecimento.»



