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Chocante! Tatiana Mestre foi encontrada morta e carbonizada no carro: “Ele furou-lhe os olhos…

Passaram oito anos desde a morte de Tatiana Mestre, um crime que continua sem uma resposta definitiva para a família. A jovem, de 29 anos, vivia em Loulé, trabalhava como empregada de mesa e tinha dois filhos, de seis e nove anos. Na noite de 26 de agosto de 2018, saiu de casa depois do jantar para se encontrar com uma amiga. Nunca mais regressou.

Na manhã seguinte, o companheiro avisou Antónia Pinela de que Tatiana não tinha dormido em casa. A preocupação rapidamente deu lugar ao pior dos cenários. O carro que a jovem conduzia foi encontrado num terreno isolado no sítio da Arrochela, nos arredores de Quarteira, uma zona conhecida na altura por ser frequentada por pessoas ligadas à prostituição e ao consumo de droga.

A viatura estava parcialmente incendiada e, no interior, foi encontrado o corpo de Tatiana. A jovem tinha as mãos amarradas atrás das costas e uma camisola colocada sobre a cabeça. A autópsia determinou que a causa da morte foi asfixia. O estado em que o corpo foi encontrado tornou o crime ainda mais chocante e deixou a família mergulhada numa dor que permanece até hoje.

José Mascarenhas, conhecido pela alcunha de Kenny, acabou por ser apontado como suspeito. O homem conhecia Tatiana e admitiu em tribunal que mantinha encontros sexuais com a jovem. Em 2019, chegou a ser condenado a 12 anos de prisão pelo homicídio, depois de terem sido encontrados vestígios de ADN seus no local e no cadáver. No entanto, a história judicial do caso estava longe de terminar.

A condenação de José Mascarenhas acabou por ser anulada pelo Tribunal da Relação de Évora. Os juízes consideraram que existiam dúvidas relevantes na prova apresentada, nomeadamente devido à existência de outros vestígios no local que não chegaram a ser identificados ou analisados. Entre eles estavam dois cabelos encontrados nas mãos da vítima que não pertenciam nem a Tatiana nem ao arguido.

Outro dos elementos analisados foi um cigarro de canábis encontrado no exterior do carro, com marcadores genéticos de Tatiana e de Mascarenhas. Contudo, a autópsia revelou que a jovem não tinha canabinóides no sangue, levantando dúvidas sobre a possibilidade de aquele cigarro ter sido fumado na noite do crime. Perante o conjunto de incertezas, a Relação decidiu aplicar o princípio de que as dúvidas devem beneficiar o arguido, que acabou libertado.

Anos depois, o nome de José Mascarenhas voltou a surgir ligado a outros homicídios. O homem está acusado da morte de Josielly Rodrigues, uma jovem brasileira que se dedicava à prostituição, encontrada morta e parcialmente queimada numa zona isolada de Santana da Serra. Segundo a acusação, Josielly morreu asfixiada e o corpo foi posteriormente abandonado numa ribanceira com cerca de 15 metros.

Mascarenhas é ainda acusado da morte de Sandra Andrade, uma motorista de TVDE desaparecida em 2023. Segundo o Ministério Público, a mulher terá sido atraída para a casa dos pais do arguido, onde terá sido manietada e asfixiada. O corpo foi posteriormente colocado dentro de uma mala e transportado para uma zona isolada de Almancil. O caso ainda não começou a ser julgado, mas a acusação aponta também para levantamentos superiores a dois mil euros realizados com cartões da vítima.

O arguido conhecia as três mulheres, circunstância que é considerada relevante nas investigações. No caso de Sandra, terá sido ele próprio a contactá-la para pedir um serviço de transporte. Já no processo de Josielly, uma outra mulher chegou a testemunhar contra Mascarenhas, relatando um episódio em que este a terá atacado e tentado asfixiar, sendo impedido pelo filho da vítima.

José Mascarenhas encontra-se atualmente detido no Estabelecimento Prisional do Linhó, mas por um processo relacionado com tráfico de droga. Apesar de ser apontado como o “serial killer do Algarve” devido às acusações relativas aos três casos, é importante sublinhar que os processos de Josielly Rodrigues e Sandra Andrade ainda não resultaram numa condenação definitiva. O julgamento relativo à morte de Josielly decorre com tribunal de júri e tem nova sessão marcada para 24 de outubro, em Faro.

Para Antónia Pinela, porém, há uma questão que permanece sem resposta: quem matou realmente a filha? Oito anos depois, a morte de Tatiana Mestre continua envolta em dúvidas e a família mantém viva a esperança de que a Justiça consiga esclarecer definitivamente o que aconteceu naquela noite de agosto de 2018.

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