CHOQUE EM PORTUGAL! Mãe e padrasto abandonam crianças no mato após oito dias a fugir pelo país

O caso que está a chocar Portugal e França tem contornos cada vez mais perturbadores. Barthelemy e Zacharie, dois irmãos franceses de tenra idade, foram abandonados pela própria mãe e pelo padrasto numa zona de mato isolada, perto da EN253, nos arredores de Alcácer do Sal. O que parecia um desaparecimento misterioso revelou-se, afinal, um abandono deliberado e friamente calculado.
Marine, a mãe, e Marc, o padrasto, entraram em Portugal com as duas crianças no dia 11 de maio, pelo posto de fronteira de Miranda do Corvo. A entrada no país não levantou quaisquer suspeitas. Tudo parecia uma viagem de família vulgar. Só três dias mais tarde, o pai biológico dos meninos apresentava em França uma queixa formal de desaparecimento dos filhos — um sinal de que algo estava profundamente errado desde o início.
Oito dias a circular pelo país antes do momento fatídico
Durante oito dias, o casal percorreu Portugal com os dois irmãos. Um período que, visto agora à distância, levanta questões difíceis de responder: o que se terá passado na cabeça de Marine e Marc durante esse tempo? Que conversas terão tido? Que decisões foram sendo tomadas, passo a passo, até ao desfecho cruel que todos conhecemos?
Na véspera do abandono, o casal pernoitou num hotel em Alcácer do Sal e chegou mesmo a almoçar em família. Uma aparente normalidade que torna o que se seguiu ainda mais chocante. Horas depois do almoço, levaram as crianças até uma zona de mato remota nas imediações da EN253. Vendaram-lhes os olhos. E disseram-lhes que iam jogar um jogo — que estavam à procura de um brinquedo escondido. Depois, simplesmente, desapareceram.
O padeiro que mudou o destino das criança
Foi Alexandre Quintas, padeiro da região, quem encontrou as duas crianças por volta das 19h30 da tarde de terça-feira, 19 de maio. Estavam junto à estrada, a gritar e a chorar. Quintas não hesitou: levou-os para casa, onde os meninos brincaram com os seus próprios filhos durante a tarde, num momento de normalidade e calor humano que contrasta de forma dolorosa com o que tinham acabado de viver. Só depois chamou as autoridades.
As crianças foram posteriormente transportadas para o Hospital de Setúbal, onde receberam os cuidados necessários. Encontram-se agora sob a responsabilidade da embaixada francesa, aguardando que a situação seja resolvida ao nível diplomático e judicial.
Testemunha descreve os suspeitos em fuga
Enquanto as autoridades portuguesas já identificaram Marine e Marc, o paradeiro do casal permanece desconhecido. Os dois continuam a monte, algures — em Portugal ou já fora do país, não se sabe.
Mas há testemunhos que ajudam a reconstituir os últimos momentos em que foram vistos. Uma testemunha, identificada apenas como Luís, revelou ter cruzado com os dois adultos antes do abandono, numa descrição que poderá ser preciosa para as investigações em curso.
“Olhei para trás, vi um senhor de óculos, barbas, baixinho. A senhora é alta e fina”, relatou Luís, acrescentando um detalhe que agrava ainda mais a dimensão do que se passou: quando os avistou, Marine e Marc caminhavam de mãos dadas com as crianças. Uma imagem de família que, poucas horas depois, se desfaria da forma mais brutal possível.
Um padrão de comportamento que vai além deste caso
O caso tem ainda outro elemento profundamente perturbador, que amplia a gravidade do que está a ser investigado. Segundo as informações apuradas, Marine terá abandonado um terceiro filho — de 16 anos — antes sequer de entrar em Portugal. Este dado sugere um padrão de comportamento que as autoridades terão de analisar com toda a seriedade, levantando questões sobre o historial da mãe e as circunstâncias em que este processo de abandono progressivo terá ocorrido.
As razões por detrás do abandono de Barthelemy e Zacharie continuam, por ora, sem resposta. A investigação prossegue, as autoridades portuguesas e francesas trabalham em conjunto, e o paradeiro de Marine e Marc permanece uma das peças que falta encontrar neste puzzle sombrio.



