Disputa pela guarda termina da pior forma: mãe é acusada de matar bebé de 11 meses e pode enfrentar prisão perpétua

Um bebé de apenas 11 meses morreu a 23 de dezembro de 2025, no Novo México, nos Estados Unidos, depois de a mãe o ter levado consigo desde o Wyoming. A viagem aconteceu apesar de uma ordem judicial que tinha atribuído ao pai a custódia de emergência da criança.
A mulher, de 36 anos, declarou-se culpada de homicídio qualificado no passado dia 24 de agosto de 2026 e enfrenta uma pena de prisão perpétua no Departamento Correccional do Novo México.
No final do ano passado, a mulher levou o filho do Wyoming para o Novo México, violando a decisão judicial que favorecia o pai.
As autoridades receberam uma denúncia sobre a sua localização e tinham conhecimento de um mandado de detenção pendente relacionado com acusações de rapto. Os agentes do Gabinete do Xerife do Condado de Grant localizaram a mulher numa autocaravana motorizada, numa propriedade rural nos arredores da Autoestrada 15.
O veículo foi cercado enquanto os agentes procuravam obter um mandado de busca. Foi então que ouviram um disparo.
Os agentes entraram rapidamente na autocaravana e encontraram a mulher e o bebé. Segundo o relato das autoridades, tinha utilizado uma pistola de 9 mm para disparar sobre o filho.
Após uma breve resistência, foi detida. Os agentes ainda tentaram salvar a criança, levando-a para uma ambulância que aguardava no local, mas o bebé acabou por morrer devido aos ferimentos.
O que a mãe disse às autoridades
Depois da detenção, a mulher terá dito às autoridades que considerava que o crime tinha “valido a pena” caso isso impedisse o pai e os familiares paternos de voltarem a ter acesso ao menino.
Terá afirmado também que acreditava que o filho estaria em perigo e poderia ser vítima de abuso sexual caso saísse da autocaravana. Sobre o pai, disse que este nunca teria querido ter responsabilidades financeiras, físicas ou emocionais em relação à criança.
Estas declarações correspondem à versão apresentada pela própria acusada.
A história da família antes da tragédia
Uma campanha de angariação de fundos criada em apoio do pai, Jake Stoner, apresenta uma versão diferente da relação entre os dois.
Segundo esse relato, Jake e Madeline Veronique Daly terminaram a relação em julho de 2024. Depois da separação, Madeline terá fugido e tentado manter em segredo o local onde se encontrava e onde o bebé iria nascer.
A campanha afirma que, durante esse período, enviava ocasionalmente mensagens a Jake, dizendo-lhe que ele nunca faria parte da vida do filho.
Mais tarde, Madeline terá ido viver para Ten Sleep, no Wyoming, onde levou a gravidez até ao fim. Jake conseguiu voltar a contactá-la e, segundo a mesma publicação, esteve presente no nascimento do filho.
A criança chamava-se Basil Stoner. A campanha afirma ainda que Madeline se recusou a discutir o nome do bebé ou a permitir que o apelido Stoner fosse colocado na certidão de nascimento.
Pai conseguiu direito a passar metade do tempo com o filho
De acordo com a campanha, Madeline terá impedido Jake de fazer parte da vida do menino durante cerca de oito meses.
A disputa chegou então aos tribunais. O 5.º Tribunal Distrital Judicial do Condado de Washakie, no Wyoming, decidiu a favor do pai e atribuiu-lhe o direito de passar metade do tempo com a criança.
As primeiras visitas, segundo o relato, correram muito bem. Mais tarde, porém, Madeline terá voltado a recusar os encontros.
Quando Jake pediu novamente a intervenção do tribunal, a campanha afirma que recebeu uma mensagem em que era chamado de pai irresponsável. Terá também sido informado de que o filho começava a chamar “papá” a outra pessoa.
A fuga aconteceu depois de novo conflito
Foi nessa altura que Madeline terá fugido com o bebé.
A campanha refere que existia receio de que pudesse sair dos Estados Unidos, uma vez que tinha dupla nacionalidade e o nome de Jake não constava da certidão de nascimento.
O mesmo relato menciona ainda ligações a diferentes estados norte-americanos e afirma que existia preocupação com a possibilidade de a mulher conseguir sair do país com a criança.
Historial referido pela família
A campanha de apoio a Jake refere ainda um historial de abuso de substâncias e problemas de saúde mental atribuído a Madeline.
É também mencionado um episódio anterior no Nebraska, no qual terá existido um confronto com as autoridades e uma ameaça de suicídio.
Estas informações são apresentadas na campanha criada em apoio do pai e não correspondem, por si só, a uma conclusão médica independente.
A localização da mãe e do bebé
Segundo o relato das autoridades, a localização da mulher acabou por ser descoberta depois de ter sido encontrada no Novo México.
Quando os agentes localizaram a autocaravana na propriedade rural, já existia um mandado relacionado com a acusação de rapto no Wyoming.
Foi durante a intervenção policial que se ouviu o disparo que levou os agentes a entrar no veículo.
Jake queria passar o Natal com o filho
Depois de receber a informação de que o filho tinha sido localizado, Jake viajou do Nebraska para o Novo México.
Segundo a campanha, esperava finalmente poder passar o Natal com Basil. Quando chegou, porém, foi informado de que não poderia ver a criança até 26 de dezembro devido aos feriados.
A publicação descreve a dor do pai e recorda que Jake vivia e trabalhava com a família numa exploração pecuária no Nebraska, onde esperava que o filho pudesse um dia juntar-se a ele.
“Tudo o que ele sempre quis foi ser pai”, pode ler-se na campanha.
Declaração de culpa e nova luta do pai
A 24 de agosto de 2026, Madeline Veronique Daly declarou-se culpada de homicídio qualificado pela morte do filho.
A pena ainda será determinada, mas, segundo a informação divulgada pelas autoridades, enfrenta uma pena de prisão perpétua, a pena máxima prevista para homicídio qualificado no estado do Novo México.
Depois da morte do filho, Jake passou também a defender alterações às regras dos Alertas AMBER, o sistema norte-americano utilizado para alertar para casos de rapto de menores.
O pai pretende que os critérios sejam menos restritivos, sobretudo em situações relacionadas com disputas de custódia, para que uma criança possa ser considerada mais rapidamente como estando em risco.


