Esqueçam Hjulmand e Morita! O Sporting já encontrou o novo patrão do meio-campo

Há um novo coração a bater forte em Alcochete. Depois de várias épocas em que Morten Hjulmand e Hidemasa Morita formaram uma das duplas mais sólidas e intocáveis do campeonato, o Sporting entra num novo ciclo e fá-lo com duas das principais apostas do mercado: Altimira e Issa Doumbia.
A resposta da estrutura leonina foi cirúrgica, ambiciosa e planeada ao milímetro. Sob as ordens diretas de uma nova ideia de jogo pensada por Rui Borges para dotar a equipa de dinâmicas diferentes, o Sporting investiu forte no mercado para fechar esta nova dupla. Sergi Altimira e Issa Doumbia são os rostos dessa revolução que custou, no total, €38 milhões de euros aos cofres de Alvalade.
A construção da nova casa das máquinas dos leões começou antes do arranque oficial da temporada, mas ganhou forma nos primeiros dias de trabalho e teve já um primeiro ensaio na vitória diante do Torreense (2-0), encontro em que ambos dividiram o centro do terreno. A ideia de Rui Borges foi clara: criar uma dupla complementar, capaz de oferecer diferentes soluções ao jogo e de responder às exigências de um Sporting que pretende manter o domínio territorial e aumentar a capacidade de acelerar as transições.
A mudança representou também uma alteração de paradigma. Durante os últimos anos, Hjulmand e Morita foram donos absolutos das posições 6 e 8, praticamente sem concorrência real. A estabilidade da dupla permitiu ao Sporting construir uma identidade muito vincada no corredor central. Agora, a sucessão passa por jogadores de características distintas e por uma concorrência interna que promete elevar o nível do setor.
O investimento em ambos confirma a dimensão da aposta: Altimira (€18 milhões ao Betis) e Issa Doumbia (€20 M ao Veneza). Um esforço financeiro sustentado pela convicção de que ambos encaixariam na perfeição na ideia de jogo desenhada para esta nova época. E os sinais, nestes primeiros dias de trabalho na Academia, sabe A BOLA, reforçaram essa ideia.
Altimira tem surgido como o médio mais posicional, responsável por oferecer equilíbrio à equipa. O espanhol distinguiu-se pela qualidade no primeiro passe, pela capacidade de jogar a um e dois toques e pela leitura na primeira fase de construção. Organizador discreto mas fundamental para garantir fluidez à circulação e controlo dos ritmos da partida.
Ao seu lado, Doumbia tem acrescentado uma dimensão diferente. O internacional jovem italiano destacou-se, nestes dias, pela capacidade física, a ocupar grandes distâncias, a conduzir o jogo em progressão, acelerar transições e com agressividade para aparecer em zonas de finalização. É precisamente essa qualidade de transporte, intensidade e chegada à área que levou a estrutura leonina a redefinir o perfil pretendido para o novo meio-campo.
Segundo apurou A BOLA, o médio de 22 anos, de resto, tem sido um dos jogadores que mais tem impressionado. A disponibilidade física e a facilidade com que chega às duas áreas têm merecido elogios internos, ao ponto de existir a convicção de que poderá afirmar-se como uma das grandes revelações da temporada. O entendimento entre estes dois reforços será agora trabalhado ao longo da pré-temporada, nomeadamente durante o estágio em Lagos, que inicia hoje até ao próximo dia 20, período considerado decisivo para consolidar automatismos e criar rotinas numa zona determinante.
O Sporting inicia, assim, uma nova era no centro do terreno. A herança deixada por Hjulmand e Morita é pesada, mas a aposta em Altimira e Doumbia pretende mais do que assegurar uma simples continuidade. Passa, sobretudo, por criar um meio-campo diferente, mais dinâmico, vertical e adaptado à evolução da equipa. Os primeiros sinais deixados em Alcochete alimentam essa expectativa para um setor que, convém lembrar, aumentou competitividade com as chegadas de mais dois reforços: Andersen e Pedro Lima.



