Francisco Monteiro é o rei da TVI? Zaza está a dar que falar

Fala-se que Francisco Monteiro poderá ser o primeiro salvo. Mas será mesmo possível que, depois de Cláudio Ramos, seja ele a conquistar esse lugar, apesar de tudo o que tem acontecido dentro da casa? É uma pergunta que me faço, porque, olhando para o ambiente entre os concorrentes, parece que Francisco tem mais gente contra si do que ao seu lado. Está em confronto com Luís, com Miguel e com Catarina, e são poucos os que parecem apoiá-lo. Ainda assim, cá fora, pode estar a acontecer algo diferente.
Por outro lado, talvez seja precisamente essa postura que o mantém no centro do jogo. Numa casa cheia de concorrentes, quem provoca reações acaba por ter destaque. Mesmo quando o público não gosta do que vê, fala sobre isso, comenta e toma partido. E, às vezes, quanto maior é a oposição dentro da casa, maior é a curiosidade cá fora. A rejeição dos colegas pode até criar a sensação de que Francisco está sozinho e a ser atacado por todos.
Foi o que me veio à cabeça quando houve aquele confronto em que Francisco foi atropelado por acusações e críticas, incluindo a situação em que, diante da cunhada de um concorrente, lhe chamaram mimado e malcriado. É natural que uma cena dessas provoque indignação. Quem vê pode pensar que foram longe demais, que a discussão deixou de ser apenas sobre o jogo e passou a ser um ataque pessoal. Mesmo que Francisco tenha atitudes que irritem, isso não significa que tudo o que lhe dizem seja justo ou aceitável.
É possível que algumas pessoas estejam a começar a olhar para ele como vítima. Não necessariamente porque concordem com a sua maneira de jogar ou porque considerem que tem sempre razão, mas porque sentem que há demasiada gente a cair-lhe em cima. Quando vários concorrentes se juntam contra uma pessoa, o público pode deixar de avaliar apenas o comportamento dessa pessoa e começar a avaliar também a forma como os outros a tratam. A partir daí, quem estava a ser criticado pode ganhar apoio por parecer o mais isolado.
Mas será esse o jogo de que o público gosta? Será que as pessoas estão mesmo a apoiar Francisco porque gostam dele, porque acham que é genuíno, divertido ou interessante? Ou será que o estão a salvar para contrariar os restantes concorrentes? Às vezes, uma votação transforma-se numa forma de mostrar desagrado com quem está na casa. O público pode não estar a dizer “gosto do Francisco”; pode estar simplesmente a dizer “não gosto da maneira como estão a tratá-lo”.
Também me pergunto se não haverá uma vontade de vingança. Se algumas pessoas sentiram que a imagem de Francisco foi difamada ou distorcida, podem querer compensá-lo através do voto. É como se o público quisesse dar-lhe força precisamente porque acredita que tentaram prejudicá-lo. Nesse caso, a votação deixa de ser apenas uma escolha do concorrente preferido e passa a ser uma resposta às acusações, às discussões e à forma como o grupo se posiciona contra ele.
Isso explicaria como alguém que parece ter tão poucos aliados dentro da casa pode, ainda assim, ser um dos primeiros salvos. A casa e o público não vivem o jogo da mesma maneira. Lá dentro, os concorrentes convivem com Francisco todos os dias, discutem com ele e reagem às suas atitudes. Cá fora, as pessoas veem os momentos transmitidos, formam a sua própria interpretação e podem simpatizar com alguém que os outros rejeitam. A pessoa mais difícil de suportar para os colegas pode acabar por ser a que mais mobiliza os espectadores.
No entanto, ser salvo não significa necessariamente que o público aprove tudo o que Francisco faz. Significa apenas que, naquele momento, recebeu votos suficientes para continuar. Pode ser por apoio, por curiosidade, por estratégia ou até por oposição a outros concorrentes. É por isso que não sei se uma eventual salvação será uma prova de que ele é querido, ou se será sobretudo um sinal de que conseguiu transformar os conflitos numa história que prende as pessoas.
No fim, fica a dúvida: o público está a gostar do jogo de Francisco Monteiro ou está apenas a reagir ao que os outros fazem contra ele? Será ele o primeiro salvo depois de Cláudio Ramos, apesar de ter tanta gente contra si dentro da casa? Talvez. E, se isso acontecer, será mais uma prova de que, num reality show, não basta contar quem está ao lado de cada concorrente. Às vezes, a sensação de estar sozinho é precisamente aquilo que faz o público querer salvá-lo.



