Há coisas que não mudam mesmo: Lionel Messi chegou agora ao Mundial e já é a figura maior

É uma alegria para qualquer pessoa que goste de futebol e tenha andado mais afastada de Lionel Messi ver o craque argentino em campo. “Que jogador é este?”, perguntaram os mais desatentos que não percebem porque é que não está todas as terças e quartas-feiras na Champions. Não só porque se percebe que a qualidade ainda está toda lá, mas porque se vê a olho nu que também a alegria de representar a seleção ainda é algo que move um dos melhores jogadores da história.
Quando entrou em campo no Argentina-Argélia quando em Portugal já era madrugada, Lionel Messi fez história ao confirmar a sua presença em seis campeonatos do mundo, algo que Cristiano Ronaldo também vai atingir mais logo, esperemos que com o mesmo brilhantismo.
A seleção de Lionel Scaloni continua claramente a rodar em torno do agora jogador do Inter Miami, que joga e faz jogar tudo à sua volta, por vezes até parado, quase como se fosse alguém que só lá está para permitir que os colegas se divirtam. Já agora, que também nós nos possamos divertir, o que aconteceu.
Numa partida em que a Argélia cumpriu o prometido pelo seu selecionador na conferência de imprensa, a Argentina soube lidar com o facto de não poder controlar tanto o jogo com bola, algo que gosta de fazer. Nada de problemático, como se percebeu, porque a seleção africana nunca conseguiu realmente levar o jogo para uma dimensão de susto aos campeões do mundo em título. A exceção encontra-se nos primeiros 10 minutos de jogo, mas o remate de Fares Chaibi que ainda foi inicialmente validado como golo acabou por ser anulado pelo VAR.
A partir daí a Argentina conseguiu ganhar ascendente, num jogo que lhe foi sempre servindo, já que a equipa poucas vezes foi apanhada fora de posição, mas conseguiu sair várias vezes com espaço para o ataque.
O rasgo maior, esse, foi sempre dado por Lionel Messi, um autêntico vagabundo a aproveitar as boas movimentações de Lautaro Martínez, e que descobriu espaço nas entrelinhas para fazer o primeiro da partida. Foi ao minuto 17, num bom passe de Rodrigo de Paul que encontrou o astro argentino numa das suas posições favoritas. A partir daí foi olhar para a baliza e rematar, ficando a sensação de que o guarda-redes da Argélia, Luca Zidane – não, o nome não é coincidência – podia ter feito algo mais.
Com Zinedine Zidane a assistir na bancada a uma partida menos feliz do filho, o 10 de Lionel Messi entrava em grande no Mundial 2026, dando tranquilidade para que a Argentina pudesse ter uma estreia diferente da de há quatro anos, embora também nesse jogo com a Arábia Saudita tivesse começado a ganhar.
Se nos recordarmos do que foi a evolução da Argentina que perdeu com a Arábia Saudita em 2022 até à final vencida nos penáltis contra a França seis jogos depois, percebemos que a seleção das Pampas entra aqui num patamar diferente.
Do 11 que iniciou a caminhada no Catar sobram cinco jogadores: além de Lionel Messi, claro, também estão Emiliano Martínez, Cristián Romero, Rodrigo de Paul e Lautaro Martínez. Do onze que carimbou esse título para a partida de Kansas City sobram os primeiros quatro e repetem-se Alexis Mac Allister e Enzo Fernández. Estes dois últimos não são repetições ao acaso, mas antes o equilíbrio essencial para que lá na frente brilhem as estrelas. Para que brilhe a maior de todas, de quem ainda vamos falar outra vez, mas também Lautaro Martínez ou Julián Álvarez, este último entrado para o lugar do primeiro contra a Argélia. Por falar em entradas, vejam só esta substituição: sai o homem, o tal, Lionel Messi, e entra Nico Paz. Nada mal.
Voltando a antes disso, temos mais Lionel Messi para distribuir. Por aqui, por ali, por onde quiserem.
Se mais provas fossem precisas para confirmarmos que está em todo o lado, foi ele a aparecer no coração da área para emendar um remate de Alexis Mac Allister que o guarda-redes da Argélia defendeu para a frente. Poderá até dizer-se que Luca Zidane podia ter feito algo mais novamente, mas se calhar devemos todos aceitar que a bola gosta mais de Lionel Messi do que qualquer outro jogador. A julgar pela forma como ele a trata, faz todo o sentido.
E se os dois golos já colocavam Lionel Messi no topo dos melhores marcadores ao lado de outros jogadores que também bisaram nesta primeira jornada, o astro quis mostrar algo mais. Tinha, afinal, guardado o melhor para o fim, já que o 3-0 da Argentina e o seu 3-0 pessoal, um hat-trick, pois claro, é o melhor golo da noite – do dia, arriscamos -, que coroou uma exibição de gala e mostrou que esta Argentina está na América para morder o título que conquistou e dificilmente o largar.



