“HÁ MUITOS ANOS QUE NÃO SE VIA ISTO”: Governo é alvo de ataque feroz — “estão a destruir o futuro”
Declaração polémica está a provocar uma nova batalha política.

Mário Centeno é especialmente duro em relação ao Governo a quem acusa de estar a “destruir o futuro” dos portugueses e de ainda por cima se vangloriar dessa destruição.
Em artigo de opinião publicado na CNN Portugal, no seguimento do seu comentário semanal, também na CNN, no espaço “O Trigo do Joio”, o antigo ministro das Finanças diz que a economia já está a desacelerar e que a prova dessa desaceleração é haver menos trabalhadores inscritos na Segurança Social, naquilo que chama a realidade completa das notícias que mostram que a população residente em Portugal já ultrapassa os 11,4 milhões de pessoas.
Sob o título “A realidade completa: mais população, menos emprego”, o economista sublinha que os números do INE mostram “que temos um país maior, com mais pessoas a trabalhar, com mais jovens”, mas que esses números não mostram tudo.
E o que não está à mostra é a queda do número de trabalhadores declarados à Segurança Social, exemplifica Mário Centeno. “Em março eram menos 22 mil trabalhadores do que no final de 2025; e menos 47 mil do que em setembro”. Centeno assegura que desde 2013, em plane crise financeira, não se registava uma evolução tão negativa, e conclui que estes dados não são “grande companhia”.
O economista diz que estes dados são relevantes por várias razões: porque foram apresentados “como uma decorrência da política de controlo do mercado de trabalho e da sociedade assumida pelo Governo”; ou porque replicam em Portugal “uma política que se mostrou inconsequente noutras sociedades, como a do Reino Unido”. Mas para Mário Centeno, “a maior relevância deste número é para os portugueses, porque significa que a economia está a desacelerar e que essa tendência já se faz sentir no mercado de trabalho”. São ainda dados relevantes, explica o economista, para “o financiamento da Segurança Social e do Estado, porque o défice da Administração Central de 1,8% do PIB, qualquer coisa como 5,5 mil milhões de euros, já só é financiado com dívida e vai continuar a agravar-se se estas políticas se mantiverem”
Mário Centeno conclui dizendo que “há muitos anos” não se assistia “a um Governo vangloriar-se por estar a destruir o futuro desta forma. Com vídeos” e diz esperar “que este momento não se repita e que a responsabilidade prevaleça. Porque sabemos ser essa a vontade de todos, incluídos aqueles que olham para a política como um jogo de aritméticas impossíveis”.



