ESCÂNDALO NA PSP: quem é Bruno Gonçalves, o chefe da polícia no centro do caso Movimento Armilar Lusitano

Era reservado, não manifestava pensamentos políticos, muito menos ideais de extrema-direita. Os colegas polícias com quem trabalhou no Departamento de Armas e Explosivos revelam à SIC que pouco ou nada se dava a conhecer.
Só em grupos privados Bruno Gonçalves mostrava o verdadeiro eu, com a alcunha “Cosso”, assim é conhecido. Um chefe da PSP em comissão de serviço na Polícia Municipal de Lisboa que rejeitava, pode ler-se no despacho de acusação, sociedades multiculturais.
Bruno Gonçalves era membro de uma organização que defendia a eliminação de todos os que fossem não brancos, judeus, ciganos, brasileiros, africanos, asiáticos e, por exemplo, gays.
Era um operacional, segundo o Ministério Público (MP), que recrutava novos membros neonazis para formar milícias armadas e que tinha “a função de armar os demais membros e, frequentemente, fabricava armas e peças de armas em 3D”.
A investigação apanhou centenas de mensagens escritas em grupos com mais de 200 pessoas, onde estavam sinalizados os alvos a abater, mais de 40 políticos. “Não estamos aqui para ser um grupo fofinho com cartazes e gritos na rua (…) formar uma organização destinada a enfrentar as ameaças contra o nosso país e povo, apresentando uma clara alternativa ao regime instalado”.
Entre os novos membros estava um militar de elite da Guarda Nacional Republicana (GNR) da Unidade de Intervenção, na Pontinha. Contactada pela SIC, a GNR garante que não tem conhecimento de que o militar em causa esteja ou não integrado na organização em apreço, mas promete averiguar.
O Ministério Público (MP) diz que o primeiro-ministro era um dos principais alvos de um ataque com recurso a granada que estaria a ser planeado.
Bruno Gonçalves terá sido mesmo apanhado a ensinar outros neonazis a fabricar bombas através de vídeos, agora na posse da Polícia Judiciária (PJ). Está em prisão preventiva há um ano e responde por 10 crimes de terrorismo, detenção de arma proibida, tráfico de armas, acesso ilegítimo e abuso de poder.



