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Transição de género: filho de Marta Cruz partilha testemunho sobre processo de mudança

Noah Cruz foi o convidado de Júlia Pinheiro no programa das tardes da SIC, esta segunda-feira. O filho mais velho de Marta Cruz partilhou o seu lado mais pessoal e abriu o coração sobre a transição de género que iniciou aos 18 anos, destacando o apoio incondicional que recebeu da mãe ao longo de todo o processo.

“Cada mudança era uma felicidade gigante”

Noah começou por contextualizar o percurso, deixando claro que se tratou de um processo gradual. “Foi difícil e não foi de um dia para o outro como as pessoas pensam.”

O jovem recordou com entusiasmo as mudanças físicas, especialmente na voz. “Cada mudança que havia, principalmente na voz, era uma felicidade gigante. Eu acordava, ainda vivia com a minha mãe, corria para o quarto dela e dizia: ‘A minha voz já está diferente’; ‘Sentes que isto e aquilo está diferente?’. Era toda uma festa.”

Apesar das dificuldades atravessadas, Noah Cruz garantiu que nunca olhou para esta fase com sofrimento. “A partir do momento em que tive a certeza… Nada foi triste desde aí. Muito pelo contrário. E por mais que tenha sido difícil, não é algo que eu lembro com dor ou com sofrimento.”

 

“Tinha nojo do meu corpo ao ponto de não conseguir ver”

Antes da transição, Noah descreveu uma relação muito difícil com o próprio corpo. “Tinha nojo do meu corpo ao ponto de não conseguir ver.”

E aprofundou o que sentia ao olhar-se ao espelho. “Às vezes eu olhava-me para o espelho e dava-me vontade de chorar. Não por achar feio o corpo de uma mulher, mas em mim era nojento. Eu não conseguia lidar muito bem com isso. E nunca entendi porquê, até começar a pesquisar mais sobre esses assuntos.”

A pesquisa, ainda que maioritariamente feita a partir de conteúdos estrangeiros, foi essencial para avançar. “Eu pesquisava muito conteúdo brasileiro, mas também de outros sítios do mundo, porque cá não temos. Mas o pouco que consegui encontrar cá passou-me segurança suficiente para avançar. Não foi preciso chegar tão longe.”

“Podes não compreender, mas tens de respeitar”

Sobre a reação da família, Noah Cruz deixou uma reflexão que resume o caminho percorrido. “Eu sou o primeiro a dizer que podes não compreender, mas tens de respeitar. Eles respeitaram. Muitas coisas não compreenderam, mas agora, com o tempo e a perguntar, eu consigo explicar aos poucos.”

O jovem, que antes da transição se chamava Yasmin, explicou ainda o significado especial por detrás da escolha do novo nome. “É um nome andrógino. Então, acho que também é muito da minha história. Não é só um nome.”

A opinião da mãe, Marta Cruz, foi fundamental nesta decisão. “Eu perguntei à minha mãe o que é que ela achava e ela disse que adorava, e então ficou assim.” E explicou a razão para essa consulta. “Eu não queria escolher um nome que a minha mãe não gostasse, esse era o primeiro ponto. Nem a minha mãe, nem a minha avó. São as pessoas mais importantes para mim.”

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